11/06/10

Manifesto pela Justiça Social

Uma das questões mais antigas do mundo será certamente aquela que se debruça sobre a perspectiva de um mundo ideal. De modo a não entrar em utopias perfeitamente válidas como a abolição da morte e das doenças e disseminação da fórmula da juventude, ou então a plantação em massa e em grande escala da árvore das patacas, vou concentrar-me apenas naquilo que considero ser uma aproximação à realidade em que vivemos e que é fisicamente possível.

Assim, considero que são três os valores que devem estar incluídos no mundo ideal que perspectivo: Igualdade, Justiça e Liberdade.

I. Liberdade

Em relação à liberdade, muito há a dizer. Talvez demasiado. Portugal ficou marcado por uma era em que a liberdade de expressão foi fortemente mitigada e deixou marcas profundas nas pessoas. Marcas de tal grandeza que qualquer movimento político que não seja da dita esquerda é visto imediatamente como fascista. Por outro lado, tenho a impressão que a esquerda é vista na maior parte das vezes como politicamente correcto e a direita é olhada com desconfiança. No entanto não é este debate que se exige na temática da liberdade.

A condição essencial para a existência da liberdade é a existência de regras. Assim, é essencial a existência de um Estado de Direito para que nos possamos sentir livres. Isto porque, recordando a velha máxima, “a minha liberdade acaba onde começa a tua”. Se não houvesse regras não seríamos livres. Andaríamos com medo e receio e seria a lei da selva, a do mais forte, que iria estar vigente. É por esta razão que por exemplo a lei do tabaco, que proíbe o acto de fumar em locais fechados (com as suas excepções) apenas peca por ser tardia. De facto, até então nunca me senti livre a não ser em locais que faziam a distinção entre fumadores e não fumadores.

A reter, fica a condição essencial e necessária para a existência de Liberdade: Regras.

II. Igualdade

“Todos diferentes, todos iguais” esta é talvez uma das frases em que mais se insistiu na promoção da igualdade. A ideia fundamental desta questão é que devemos reconhecer as nossas diferenças sem que haja discriminação de tratamento. Contudo, alerto para o risco de uma má interpretação que queira tornar-nos todos iguais. É que não somos! E agora insisto eu: devemos é aceitar que não somos iguais.

Aproveitando o balanço do parágrafo anterior, pretendo demonstrar a minha concepção da igualdade. Não acho que o caminho da igualdade deva ser traçado num sentido de absoluta igualdade. Não seria correcto. Não premeia o esforço nem a produtividade e seria um incentivo ao ócio. A promoção da igualdade deve ser feita a nível das oportunidades. Uma sociedade será igualitária quando conseguir que todos os seus membros tenham uma efectiva igualdade de oportunidades. É aqui que entra a questão dos padrinhos e cunhados. Nessa sociedade longínqua estes termos pertenceriam apenas ao léxico das relações familiares.

Assim, o verdadeiro sentido da igualdade numa sociedade ideal é ao nível da igualdade de oportunidades para todos os membros.

III. Justiça

Não foi certamente despropositado que deixei para último este valor. Se conseguirmos juntar os dois primeiros, estaremos muito próximos de atingir a justiça. Apenas com regras e igualdade de oportunidades é possível atingir e mensurar a justiça.

Mas o debate em torno da justiça leva-nos para a dicotomia “Fair Rules vs Fair Results”, que em verdade já foi discutido no tópico anterior. Uma sociedade justa não será aquela que consiga tornar todos os indivíduos iguais, mas sim aquela que conseguir proporcionar igualdade de tratamento imparcial a todos os seus membros.

No âmbito da justiça, existe contudo uma parcela que é necessária abranger de modo a tornar a análise, e passe a redundância, justa. Estou a falar da justiça social. Num mundo em que não existe igualdade de oportunidades, justiça social é a prossecução dessa igualdade e, ao mesmo tempo, a promoção de um sentido de solidariedade para atingir esse fim.

Não estou a falar de um apoio aos coitadinhos e aos pobrezinhos. Não é assim que a questão deve ser vista. Estou sim a falar de uma perda voluntária e individual em torno de ema menor divergência entre os membros de uma sociedade. Quando a acção voluntária não é suficiente, cabe ao próprio Estado garantir as condições socio-económicas que promovam tanto quanto possível as condições de acesso às mesmas oportunidades.

O âmbito da justiça é tornar as regras justas para todos de modo a atingir-se a igualdade de oportunidades.


É esta a triologia de princípios que defendo para um mundo ideal. Com elas, não existiria fome no mundo e todos tinham a mesma oportunidade para traçarem livremente o seu caminho. No entanto, no final, o resultado não seria igual para toda a gente. Iria premiar os melhores, os que mais se esforçaram e penalizar os que preferem ócio em detrimento do trabalho. O grande desafio, seria constantemente proporcionar igualdade de oportunidades que reconheço ser o pilar mais difícil de alcançar.

01/04/10

A Mãe dos Enfermeiros

Já na anterior greve dos enfermeiros eu manifestei o meu profundo desagrado. Independentemente das suas razões (com as quais eu não concordo), eu gostava de perguntar a algum dos enfermeiros se a sua mãe tinha alguma operação marcada e foi cancelada? Ou se a sua mãe está internada e não tem por isso quem olhe por ela (pois os serviços mínimos estão obviamente na UCI - alguns nos cinemas UCI mas quero referir-me à unidade de cuidados intensivos)? E já agora, esta semanita antes da Páscoa dá um jeitão para se estar de greve...
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Já que a economia é a minha área, vou dar-vos algumas luzes:
1. Quantos colegas enfermeiros têm vocês? Imensos não é?! Ora se a oferta (de enfermeiros) é muito elevada, é natural que a procura (os hospitais e afins) pague salários mais baixos. Mas não é por aí.
2. Sabem quanto ganham os licenciados por esse país fora, no sector privado? Alguns até ganham metade do que os enfermeiros no início de carreira. Pois... Isso é muito pouco não é?! É quase o salário mínimo mas é este o ponto em que chegamos. E estamos a falar de cursos a sério em universidades de prestígio.
3. "Mas nós ganhamos menos que os outros na função pública". E eu ganho menos que os outros no sector privado. E qual é a solução? Procurar alternativas. Não é por isso que eu digo aos clientes para terem paciência mas que esta semana quero mostrar ao país que ganho pouco e não gosto disso. Muito menos faria isso a doentes.
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Em termos morais, não sou ninguém para julgar ninguém, mas digo-vos que acho muito mau o que estão a fazer aos doentes. São eles que ficam prejudicados. Não é a ministra, nem sequer o sócrates. São mesmo os doentes. Os que têm que adiar as suas operações e os que já estão à espera e assim vão continuar. Em termos profissionais, acho que também não estão a cumprir com o vosso dever. Mas cada um sabe de si e sabe como consegue dormir à noite.
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PS: E se os hospitais fossem privados?!

17/03/10

Deprimente

O problema do desemprego vai permanecer nos próximos 2 a 3 anos (contrariando as minhas próprias expectativas) segundo referiu a Dr. Margarida Lopes, especialista em Economia do Trabalho, em declarações à Antena 3. O grupo mais afectado serão os jovens licenciados.

08/03/10

O "magro" Rangel

Paulo Rangel, que revelou grande entusiasmo na corrida às Europeias e no anúncio da sua candidatura parece ter perdido o fulgor. Primeiro com Pedro Passos Coelho e agora com José Pedro Aguiar Branco. A derrota nos dois debates poderá ser determinante para a derrota nas directas do PSD, pois PPC tem um eleitorado muito próprio e Aguiar Branco, que divide o seu eleitorado com Rangel, parece ter o apoio desse eleitorado, mesmo antes dos debates.
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Paulo Rangel terá que comer muita broa até às directas...

03/03/10

Futuro do PSD

Não passa pelo Passos Coelho.
Se inicialmente fiquei um pouco iludido com a sua presença (nas anteriores directas), hoje não o vejo como líder do principal partido da oposição e candidato a PM. Não fica bem a um candidato atacar tanto o seu próprio partido como PPC faz. E fica-lhe também mal colar Rangel à incompetência do PSD, quando foi Rangel o único social-democrata a vencer umas eleições no último ciclo eleitoral. Quanto à boca no final do debate... próprio de um miudo que tirou um curso à pressa (apesar de já ter formação numa das melhores universidades - J - que lhe dá contactos priveligiados) que não tem maturidade para liderar o partido em que se encontra quase desde que nasceu. Demasiadas semelhanças com o actual PM, pelo que posso dizer que este é o José Sócrates do PSD.
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Já Paulo Rangel, relativamente novo no partido, poderá a meu ver, ser o novo líder. Tem carisma e sentido práctico. Nao está viciado na política como PPC, que aprendeu todas as manhas e truques baixos. Este bem ao invocar o sentido de responsabilidade e necessidade do país bem como em afirmar que nunca atacou Luís Filipe Menezes quando este era o presidente dos laranjas.

02/03/10

Qualidade do Ensino Privado

Na edição de hoje do jornal Público, está escrito que a procura pelo ensino privado tem vindo a aumentar porque os pais procuram um projecto de segurança e há uma crescente preocupação pela qualidade do ensino.
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Em relação à segurança, não dúvido que uma escola privada seja mais segura, pelo menos as probabilidades de existência de rufias são menores, embora não seja um aspecto determinante e directamente relacionado com o bullying.
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Mas o que me deixa mais apreensivo é a qualidade do ensino. Não podemos traçar uma relação de causalidade entre qualidade do ensino e se a escola é pública ou privada. Aliás isso até pode vir a aocntecer no futuro e é natural que assim seja, mas para já tal não me parece verdade.
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Factos:
- Existiram várias escolas privadas que eram conhecidas por subir as notas dos alunos no 12º ano antes de entrarem para a faculdade. Se contarmos com os rumores, podemos ouvir insólitos como exames nacionais resolvidos no quadro durante a própria prova.
- Não temos ainda tradição de escola privada que possa atrair bons professores em massa.
- As universidades públicas são as melhores (e a Universidade Católica, talvez a melhor das privadas, não é melhor que as públicas, como FEP e Nova). Além do mais, a nível universitário, não existe uniformidade de notas entre o público e o privado. É por isso que não percebo como empresas com tradição pública (como EDP, PT, etc, etc) elegem como critério principal a nota final de 14, que numa universidade pública é um marco difícil e exigente, mas que numa privada está ao alcance da maioria dos alunos. O que faz com que estas empresas fiquem com alunos das instituições privadas. (Nota: não estou a falar do Rui Pedro Soares!!!)

Feminismo

Porque é que o feminismo não tem a conotação negativa do machismo e é visto como um acto heróico e libertador das mulheres? É igualmente uma forma de promoção da discriminação sexual.