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16/12/09

Trafulha

"[Os alunos] fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano [de escolaridade]. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução”,

Medina Carreira, Público

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O que disse Medina Carreira é óbvio demais. Não me canso de dizer que este programa das Novas Oportunidades visa apenas atingir estatísticas. Pretende qualificar recursos humanos pouco qualificados ao estilo que José Sócrates, alegadamente, concluiu a sua licenciatura. Por um lado, estão a querer enganar os portugueses em geral, dizendo que este Governo está a elevar o nível de escolaridade dos portugueses, o mundo internacional, de modo a subir nas estatísticas europeias e os próprios alunos, pois eles não ficam a saber o mesmo que é ensinado no ensino normal.

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O que seria de louvar, era utilizar esses meios financeiros em programas de formação e qualificação profissional de recursos humanos, e digo isto no verdadeiro sentido da palavra: Capacitar e dotar os recursos humanos de conhecimentos e técnicas que os permitam de desempenhar uma determinada profissão. Não apenas dar-lhes um papel para as mãos a dizer que têm equivalência ao 9º ou 12º ano. Ainda por cima é dinheiro mal gasto, porque as empresas sabem perfeitamente que não se aprende nada nas novas oportunidades.

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Este programa nem sequer é facilitismo. É trafulhice.

16/10/09

Estatísticas

É só para inglês ver. Exames mais fáceis e obrigatoriedade de passar de ano alunos pela sua "avançada" idade são medidas que têm como objectivo único melhorar as estatísticas da Educação, e enganando alunos, pais e portugueses, mas que de facto em pouco ou nada contribui para a resolução do problema da educação.
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Mas ainda assim há quem não consiga passar de ano e esteja em risco de abandono escolar... Aposto que José Sócrates já estará a pensar em medidas alternativas. Talvez com exames ao domingo consiga fazer passar esta malta... Será que Isabel Alçada vai cair na esparrela?

14/08/09

Crescemos! Mas...

Na realidade é meia-verdade, meia-mentira! Como disse num post anterior crescemos mas foi somente em relação ao trimestre anterior. Em termos homólogos, o que realmente interessa , registamos uma contracção de 3,7%.
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Apesar disto, a taxa de desemprego elevou-se dos 8,9% registados no primeiro trimestre do ano para 9,1% (aqui e aqui), segundo dados divulgados pelo INE. Podemos dizer que o Governo falhou redondamente as suas estimativas, já que apontava para uma redução da taxa de desemprego para 8,8%. Os analistas consultados pela agência Lusa estavam mais optimistas e esperavam um aumento da taxa para 8,9% enquanto que o FMI tinha traçado um cenário mais negro do que foi a realidade, com uma taxa de desemprego de 9,6%. A Comissão Europeia acertou na mouche e avançou com uma estimativa de precisamente 9,1%.
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"O Alentejo é a região portuguesa com a taxa de desemprego mais elevada (11,3 por cento), seguida do Norte (10,5 por cento). Ainda acima da média nacional está a região de Lisboa (9,4 por cento). O Centro é a região que assegura o menor ritmo de destruição de postos de trabalho.O aumento do desemprego foi particularmente visível entre a população com 25 a 34 anos e com 45 ou mais anos de idade." (Público)
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Não é contra-senso que a economia recupere e o desemprego se agrave. Muito antes pelo contrário, já que a taxa de desemprego é um indicador "lagging", ou seja, demora um determinado período de tempo a reagir. Em termos simplistas, a economia recupera e passado algum tempo, quando as empresas ganham força, admitem mais pessoal (e dispensam menos). Quando a economia se agrava, as empresas aguentam algum tempo até que tenham que cortar postos de trabalho.
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Preocupante, é esta situação descrita aqui...
Porque estamos sujeitos e conheço quem conviva com esta desagravel situação...
"O número de desempregados sem qualquer subsídio de desemprego está a crescer ao dobro da subida do desemprego. Em Maio passado, o desemprego registado cresceu 27,6 por cento face ao mesmo período de 2008. Mas, com base nos dados do Ministério do Trabalho, o número dos desempregados em busca de novo emprego e que não recebem subsídio aumentou 53 por cento." (via Público)

13/08/09

Aproveitar o Balanço

As primeiras suspeitas de que a recessão está a acabar ganharam hoje mais força. De acordo com os dados avançados pelo Eurostat (citados aqui), a economia da União Europeia abrandou o ritmo de contracção no segundo trimestre do ano para 0,3%. Já na Zona Euro a contracção foi de apenas 0,1%.
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Um dos destaques vai para Portugal, já que a economia nacional cresceu nos três meses terminados em Junho! O Produto Interno Bruto aumentou 0,3%, o mesmo crescimento registado em França, Alemanha e Grécia. A Eslováquia atingiu um crescimento de 2,2%. O crescimento português surpreendeu os economistas que estavam a contar com uma contracção de 0,6% do PIB.
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Sem se conhecer ainda os dados referentes a Espanha, o Reino Unido contraiu 0,8% e a Holanda 0,9%. Mas a pressionar a economia europeia estão economias da Lituânia (-12,3%), Estónia (-3,7%), Hungria (-2,1%), Letónia (-1,6%) e Roménia (-1,2%).
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Ainda que em termos práticos não se sinta já o efeito, sobretudo nos desempregados, são boas notícias para os portugueses. Isto quer dizer que a economia está a fazer melhor que a média dos seus parceiros da União Europeia e da Zona Euro. Agora que se evitou a contracção da economia no segundo trimestre, resta agora batalhar para retomar o crescimento em termos homólogos, pois o PIB ainda está 3,7% daquele registado em igual período de 2008.
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Mas isto não basta. Agora é necessário aproveitar o crescimento e dinamizar o país. promover políticas de emprego e de apoio às PMEs. Para mim os dois vectores mais preocupantes do nosso país.
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Em relação ao emprego, porque é preocupante que jovens, mesmo os recém licenciados, estejam com muitas dificuldades para arranjar emprego. Mesmo em áreas que tradicionalmente não estavam sobrelotadas. Uma das razões é a vulgarização da licenciatura... Não é o mesmo que há uns 5 ou 10 anos atrás. E agora com o processo de Bolonha ainda pior. Temos uma população cada vez mais qualificada (em título e não necessáriamente em conhecimento e formação) para um mercado muito estático mesmo em áreas "quentes" como a auditoria e consultoria.
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Não menos preocupante é os trabalhadores das fábricas, com 40 e 50 anos que perdem de um momento para o outro o emprego. A velha questão de serem demasiado novos para a reforma e demasiado velhos para trabalhar (em Portugal...). É preciso aproveitar essa mão-de-obra que pode não ser qualificada mas é especializada em algo.
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Em relação às PME's, o tema que considero mais importante na actualidade, porque representam cerca de 90% da massa empresarial do país. São elas que mais contribuem para a economia nacional, em conjunto, e que são responsáveis pelo emprego da maior parte dos portugueses. Os programas de apoio que existem são bem vindos, mas não se destinam a ajudar as empresas que estão com maiores dificuldades. Ajudam quem tem boa capacidade e consegue sobreviver bem no mercado. Nesta altura, a lógica deveria ser ajudar a manter o tecido empresarial português, correr alguns riscos, mas ajudar estas empresas a aguentarem-se. Em muitos casos, apenas precisam de saldar dívidas com o Banco de Portugal e Finanças e de pouco mais para o Fundo de Maneio. No curto prazo, entre 1 a 3 anos, teriam já capacidade para laborarem e criarem valor para o país.

11/08/09

Investimento a Norte precisa-se!

O IEFP anunciou que o número de desempregados inscritos nos centros de emprego em Lisboa caiu 0,7% em Junho para um total de 20 685, embora tenha aumentado 1,8% no Porto para 14 408. Na região norte do país o número ascende a 217 554 e corresponde à zona do país com maior número de desempregados inscritos nos centros de emprego. (Económico, i online)
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Mesmo apesar desta realidade, de elevado desemprego, não é por isso que são efectuados mais investimentos no Norte, que lhe é destinado mais fundos comunitários ou que são criados incentivos para as empresas se situarem lá. Estamos a assistir a uma concentração cada vez maior de empresas em Lisboa, capital europeia, que vai conduzir a uma convergência das pessoas para lá.
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É necessário investir e promover o investimento nas regiões que mais precisam, como é o Norte do país. É por isso que é imperativo descentralizar o poder, com ou sem regionalização, de modo a que os interesses das regiões sejam defendidos. Os fundos comunitários têm como objectivo promover a convergência das regiões de um país mas o que se tem observado desde 1986 é precisamente o oposto: Uma convergência de Lisboa para a Europa e uma divergência cada vez maior da capital face às restantes cidades e regiões.